Qual o jeito certo de brincar?

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Existe um jeito certo de brincar?

Vou te contar uma pequena história que aconteceu comigo.

Certo dia, enquanto estava no parque com a minha filha, fiquei observando o jeito em que muitos momentos eu estimulava e conduzia as brincadeiras. Em um certo momento, a minha filha começou a subir o escorregador “do jeito errado” e eu fui rapidamente me preparando para dizer: “-filha, não é assim! O jeito certo é subir pela escada!”

Mas no mesmo momento eu respirei (rsrsrsrs), me segurei (foi um pouco difícil) e observei. Ela rapidamente, mostrando o desenvolvimento do seu corpinho, subiu pela rampa e desceu as escadas. E eu pensei, de onde você tirou “jeito certo e jeito errado?”.

Nesta parada de ação, apenas observando percebi que pude deixa-la criar mais experiências para o brinquedo tão comum em parquinhos, certo? E se eu quiser brincar de cabana embaixo dele? E se ele for a minha nave que me conduzirá para o espaço? E se ele for a minha casinha? Uau! Infinitas possibilidades!

E comecei a pensar em quantos momentos na vida das nossas crianças, não somos levados pela impulsão de cortar estes momentos. Impulsão sim! Pois fomos criados e ensinados deste jeito: de que há apenas um jeito certo e apenas uma possibilidade. E a vida nos mostra no dia a dia as infinitas possibilidades para a mesma coisa!!

Tomei como exemplo o escorregador, mas isso vale para cada instante. Não estou dizendo para deixarmos a vidinha deles virar um “oba-oba”, até porque eles precisam de limites e olhares atentos de um adulto, mas que estejamos mais abertos para deixa-los experimentar e testar suas possibilidades!

Como afirma Anna Marie Holm:

“As crianças não deveriam ser preparadas para um tipo determinado de vida; deveriam sim, receber ilimitadas oportunidades de crescimento. Aprendendo que uma tarefa pode ter várias soluções, adquirimos força e coragem. (…)

É importante que nós próprios sejamos bons em tomar a iniciativa, inventar, ter coragem, energia, ter a mente aberta para experimentar, para investigar, para estar no desconhecido”.

E isso vale quando pegamos um brinquedo novo e vamos logo falando para as crianças: “- olhe, este é assim que brinca” – e é neste momento que cortamos os fios da imaginação…

Engraçado como muitas crianças são “formadas” a sempre pedir informações sobre o que fazer… “O que é pra fazer com isso?”, ” pode fazer assim?”…
Poxa, assim podamos pouco a pouco o ser criança, o construir e o descobrir por si mesmo que é muito melhor do que seguir caminhos prontos e dados!
Vamos fazer diferente?

Não existe um jeito certo de brincar, porque a brincadeira vai além da racionalidade. Quando as crianças brincam, elas estão criando infinitas possibilidades de ser e existir. Nós temos que entrar no mundo delas e não trazê-las ao nosso!

E esta é nossa proposta: “Virando criança” ou então voltando a ser criança, de um jeito único e especial!

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